Olha a barriga dela!
Ai, a Sarinha tá quase nascendooo!!!! Que fofuraaa!!!!! Beca, como você está?? como andam as coisas da sobrinha mais querida desse Brasil??? XD to rezando muito aqui pra ti, flor!!!

Sarinha está quase nascendo sim! Assim que ela nascer aviso pra todo mundo.

Estou ótima, obrigada. Feliz e saudável, cuidando muito de minha saúde e da pequenina. Ela estava com 3,09kg da última vez que fui consultar dia 6 desse mês. Volto lá segunda, dia 20 e trago qualquer novidade.

Obrigada pelas orações, querida! São muito bem vindas!

Beijos!

Desmistificando a gravidez (ou mistificando a minha, pode escolher…)

Desde adolescente sempre ouvi que gravidez é uma coisa deveras desconfortável e que os últimos meses são os piores. Acredito que não mentiram para mim, porém comigo tem sido muito diferente. Então resolvi fazer esse post para as mulheres que têm curiosidade sobre essa “parada” de gravidez.

Claro que os últimos meses são os mais difíceis, porque tudo é mais corrido, tem muita coisa para providenciar, muito cuidado para tomar, mas mesmo assim eu não estou achando tudo tão difícil quanto me diziam que seria.

Próximo domingo completo nove meses de gravidez e estou ótima. Essa é a palavra adequada: ÓTIMA.

Claro que canso mais rápido que antes, que caminho mais devagar, mas não há aquele desconforto eterno que me falaram tanto.

Disseram-me que eu não dormiria no último mês de gestação. Estou dormindo normalmente.

Disseram que eu estaria tão grande que não conseguiria me locomover com facilidade, e até agora não senti nada disso. Continuo dirigindo carro normalmente, continuo dormindo num colchão de ar que está NO CHÃO (para mim esse colchão é mais confortável que o da cama), levantando-me mais lentamente, claro, porém com segurança. Hoje mesmo fiz várias coisas, num dia deveras produtivo e me sinto bem, com disposição e saúde.

Para não dizer que não houve nenhum contratempo, semana passada uma virose me atacou e me deixou de cama alguns dias com febre. Repousei, tomei uns remedinhos e melhorei. Estou novamente cem por cento.

Eu tento viver achando que não sou melhor que ninguém, portanto quando vejo minha condição no final da gravidez sendo tão boa acredito que se deva a algumas razões específicas, e não a sorte. São elas:

1) Não aumentei de peso durante a gravidez.
Muitas mulheres engravidam e enlouquecem com relação à comida. Precisar comer por dois é a desculpa mais descarada para comer muito que eu conheço. Eu teria muita vergonha de falar algo assim. Isso é tão errado, vocês não imaginam o mal que isso faz. É sabido que uma mulher que está em seu peso ideal só deve aumentar nove quilos durante a gravidez. A maioria das grávidas que conheço, antes mesmo de engravidarem já estavam acima de seu peso ideal, e quando engravidam ao invés de tratar esse aspecto caem de boca na comida, descontrolando e engordando mais de vinte quilos. Isso mesmo, MAIS DE VINTE QUILOS. Agora tire o peso do bebê que, sendo um bebê bem grande, pesaria uns 4,5kg, essa mulher está com um aumento de mais de quinze quilos para o metabolismo administrar. Esse é um aumento de peso que ocorreu num espaço curto de tempo, e que não é saudável. As consequências podem ser pressão alta, que pode ocasionar eclâmpsia, dificuldades da circulação sanguínea, dificuldades na locomoção, etc…

- Pausa para momento triste -

Uma prima minha aumentou vinte e três quilos durante a gestação. Ele teve a criança e morreu quinze dias depois de um infarto fulminante.

- Fim da pausa para momento triste -

Enquanto as mulheres que conheço aumentam enlouquecidamente de peso durante a gravidez, eu diminuí. Como eu já estava muitos quilos acima de meu peso ideal, a médica me passou uma dieta e me recomendou perder peso. Eu segui a dieta e perdi mais de quinze quilos DURANTE a gravidez. Tudo foi acompanhado pela médica, fiz todos os exames periódicos para saber como andavam minhas taxas, e sempre acompanhava minha pressão arterial.
Então estou chegando ao final da gravidez com quinze quilos a menos e muito mais saúde.

2) Usei otimismo sempre.
Não adianta querer ser blasé e ser pessimista, porque quando você está com seus hormônios enlouquecidos durante a gravidez esperar pelo pior não ajuda. Rodeie-se de pessoas otimistas, fuja das histórias de partos ruins, esteja sempre pensando no melhor.

3) Planejei e organizei tudo.
“Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” é o clichê mais adequado. Não seja desorganizada, porque desorganização gera desespero quando você precisa encontrar/fazer algo. Estando grávida o nível de paciência diminui, isso é uma realidade, portanto quanto mais organizada mais harmoniosa será sua gravidez.

4) Acompanhamento médico.
Não vou nem entrar em detalhes sobre o quanto é importante ter um profissional competente te ajudando. Se você não sabe disso, reveja seus conceitos.

5) Estude!
Procure saber pelo que seu corpo está passando, leia, use a internet, ela é uma fonte de muita informação. Não seja uma mãe de primeira viagem idiota que fica conjecturando absurdos. Procure as respostas onde elas podem ser encontradas! Pergunte a seu médico, compre livros específicos, se instrua. Uma mãe ignorante hoje em dia que a informação está aí para quem quiser ao alcance das mãos é uma vergonha.

6) Amar a si mesma.
Lembre-se que seu filho vai nascer, mas você NÃO VAI morrer. (Pelo menos é o que a gente espera, fatalidades acontecem, mas não vamos planejar sua morte, não é mesmo?) Cuide-se. Lembre-se que para ser uma boa mãe você precisa ser uma boa pessoa, e para ser uma boa pessoa você precisa estar bem. Esteja bem.

Nesse meu último mês de gestação achei que seria interessante compartilhar isso com vocês. Dizer que estou bem, que tudo está encaminhado direitinho, que minha saúde está ótima e que tudo está em paz.

Gravidez não é um período de sofrimento, é um período de mudanças. A forma com que você encara essas mudanças e as atitudes que você toma com relação a elas é que fará toda a diferença.

Desculpa a pergunta, mas tu tens um Fanfiction? Podes mandar o link?
Anonymous

Tenho sim, manda teu email por outra pergunta que te encaminho o link em privado. :)

If you can hold on, hold on

O medo é algo que paralisa. Na maioria das vezes a ameaça maior é o próprio medo do que o objeto temido em si, por isso eu tento não dar muita vazão ao medo. Sou daquele tipo de gente que acredita que coragem é encarar o medo, não simplesmente não temer. Acho que por isso eu não estou me borrando de medo.

Quando soube que estou grávida de uma menina foi a primeira vez que tive medo.

Primeiro há todo o cuidado com higiene que uma menina requer. Eu simplesmente terei que tomar mais cuidado com a saúde de uma menina que com a de um menino. Não tenho medo do trabalho, tenho medo de em algum momento algo dar errado e minha filha ter uma infecção urinária, ou pior, um corrimento. Tento me acalmar pensando que temos plano de saúde, e que isso pode ser algo chato, mas tem solução. Então prefiro focar na solução do que no problema, e me acalmo.

O segundo medo, que é algo fora de meu poder para mudar, é o medo da sociedade. Uma mulher ainda é vista como mercadoria. Ainda é vista como alguém para ser exibida por um macho, alguém que tem que seguir determinados pré-requisitos para ser feliz, ou, indo mais longe, para ser digna.

Fico pensando em minha filhinha que ainda nem nasceu, mas que já há pessoas dizendo “ela vai namorar com meu filho”. Isso me irrita. Muito. É uma brincadeira, sim, mas uma brincadeira desnecessária e idiota. Uma brincadeira que mostra o quanto somos presos a sexismos, e o quanto nossa sociedade sexualiza nossas crianças.

Sara - esse é o nome dela - não vai ser namoradinha de menino algum enquanto eu puder impedir. E falo isso não como uma mãe coruja que quer proteger sua filha das garras dos machos, falo isso como uma mãe que quer que sua filha tenha uma infância de verdade. Sem a necessidade de mostrar à sociedade que ela tem talento para arrumar homem desde cedo. Quero que ela possa escolher como quer viver, e que escolha conscientemente, sem se importar com quaisquer tipos de pressão que a sociedade venha a impor.

Quero que minha filha saiba ser independente. Não financeiramente, dinheiro e independência nem sempre caminham juntos. Quero que ela tenha uma mente independente. Que saiba apreciar um gesto de gentileza e não o confunda com machismo. Que saiba diferenciar e, quando necessário, ignorar ou repreender um gesto de machismo, e não o confunda com algo correto.

Uma mente independente é meio caminho andado para a felicidade, porque ninguém pode deixar sua integridade depender de ninguém, e ninguém é feliz sem integridade.

Por isso temo. Porque é muito fácil criar uma Barbie pré-fabricada, dizendo que ela deve fazer isso ou aquilo, que ela deve ser magra, que ela deve usar as roupas da moda, que ela deve ter o cabelo assim ou assado, porque é o que é bonito e está em voga, porque é o que todo mundo faz, e se todo mundo faz e se dá bem é porque deve ser bom. Não! Não é bom. Nada que te dizem para fazer para satisfazer outra pessoa é bom.

E aí nasce meu terceiro medo, de que tentando ensiná-la a satisfazer a si mesma ela ache que estou ensinando que o certo é ser egoísta. E não é. Quero que ela perceba que auto-satisfação não tem nada a ver com sexo ou com passar por cima das outras pessoas, mas que ter satisfação é ser feliz com o que se tem, é estar satisfeita com o que se é, e que ela não precisa que ninguém pense igual a ela para embasar suas convicções. Ela pode ser o que quiser e deixar de ser depois. Nada é definitivo, nem mesmo a posição dos continentes. Nesse mundo mutante ela deve encontrar felicidade no momento atual. Isso que quero ensinar. E se eu conseguir ensinar isso a minha filha, saberei que fui uma boa mãe.

Ontem, quando me deparei com a proposta de passar a virada do ano em um cruzeiro, com Sara com apenas seis meses, podendo acontecer qualquer emergência em alto-mar, qualquer acidente ou incidente, eu percebi que há mais um medo a ser acrescentado nessa lista: o medo de perdê-la. E que esse medo pode ser muito mais castrador que todos os outros, porque ele é um medo razoável, não é um medo sem fundamento. E os medos com fundamento são os piores de lidar.

É nessas horas que eu respiro fundo e penso que se por causa de um medo meu, impedirei que minha filha seja feliz, prefiro engolir o nó na garganta e enfrentar esse medo. Enfrentarei esse medo como quem combate um animal feroz. Porque eu tenho muitos direitos sobre minha filha, mas impedi-la de ser feliz e usufruir da vida não está entre eles.

“I wanna stand up, I wanna let go
You know, you know, no you don’t, you don’t

(…)

I got soul, but I’m not a soldier
I got soul, but I’m not a soldier
(Time, truth, and hearts)”

Como é ter algo vivo e humano (que um dia será rico e feliz -q) dentro de você? Deve ser bom, né? *-*

Sim, no meu caso é muito bom!

Eu sei que para muitas mulheres a descoberta de estar grávida é um baque, mas no meu caso eu estava esperando essa gravidez há algum tempo, então foi uma grande alegria. Há toda a série de inseguranças comuns, como por exemplo a famosa “puta-que-pariu-vou-ser-mãe-e-agora” e a “ai-caralho-como-eu-vou-cuidar-de-uma-criança”, mas como eu sou uma pessoa calma que prefere pensar no melhor, não estou ansiosa.

Devo assumir que a primeira vez que pensei “estou carregando uma pessoa dentro de mim” foi bastante revelador. Eu pulei do conhecimento intelectual do estar grávida para o fato de ter consciência de que não vou simplesmente criar minha filha, mas sim uma pessoa. Uma pessoa completa com todas as características de personalidade de um alguém. E isso sim foi a experiência mais maravilhosa da gravidez, o perceber que meu DNA se uniu com o do meu marido para formar um alguém que poderá ser totalmente diferente de nós.

Para mim essa é a mágica da vida atuando.

deadjack:

Have you read more than 6 of these books?

The BBC believes most people will have read only 6 of the 100 books listed here.

Instructions: Bold those books you’ve read in their entirety, italicize the ones you started but didn’t finish or read an excerpt (or those that you read the kids’…

1 Pride and Prejudice – Jane Austen

2 The Lord of the Rings – JRR Tolkien 

3 Jane Eyre – Charlotte Bronte

4 Harry Potter series – JK Rowling

 5 To Kill a Mockingbird – Harper Lee

6 The Bible 

7 WHY IS THERE NO 7??

8 Nineteen Eighty Four – George Orwell

9 His Dark Materials – Philip Pullman

10 Great Expectations – Charles Dickens

11 Little Women – Louisa M Alcott

12 Tess of the D’Urbervilles – Thomas Hardy

13 Catch 22 – Joseph Heller

14 Complete Works of Shakespeare

15 Rebecca – Daphne Du Maurier

16 The Hobbit – JRR Tolkien 

17 Birdsong – Sebastian Faulks

18 Catcher in the Rye – JD Salinger

19 The Time Traveller’s Wife – Audrey Niffenegger

20 Middlemarch – George Eliot

21 Gone With The Wind – Margaret Mitchell

22 The Great Gatsby – F Scott Fitzgerald

23 Bleak House – Charles Dickens

24 War and Peace – Leo Tolstoy

25 The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy – Douglas Adams

26 Brideshead Revisited – Evelyn Waugh

27 Crime and Punishment – Fyodor Dostoyevsky

28 Grapes of Wrath – John Steinbeck

29 Alice in Wonderland - Lewis Carroll

30 The Wind in the Willows - Kenneth Grahame

31 Anna Karenina – Leo Tolstoy

32 David Copperfield – Charles Dickens

33 Chronicles of Narnia – CS Lewis

34 Emma – Jane Austen

35 Persuasion – Jane Austen

36 The Lion, The Witch and The Wardrobe – CS Lewis

37 The Kite Runner - Khaled Hosseini

38 Captain Corelli’s Mandolin – Louis De Berniere

39 Winnie the Pooh – AA Milne

41 Animal Farm – George Orwell

42 The Da Vinci Code - Dan Brown

43 One Hundred Years of Solitude – Gabriel Garcia Marquez

44 A Prayer for Owen Meaney – John Irving

45 The Woman in White – Wilkie Collins

46 Anne of Green Gables - LM Montgomery

47 Far From The Madding Crowd – Thomas Hardy

48 The Handmaid’s Tale – Margaret Atwood

49 Lord of the Flies - William Golding

50 Atonement – Ian McEwan

51 Life of Pi – Yann Martel

52 Dune – Frank Herbert

53 Cold Comfort Farm – Stella Gibbons

54 Sense and Sensibility – Jane Austen

55 A Suitable Boy – Vikram Seth

56 The Shadow of the Wind – Carlos Ruiz Zafon

57 A Tale Of Two Cities – Charles Dickens

58 Brave New World – Aldous Huxley

59 The Curious Incident of the Dog in the Night-time - Mark Haddon

60 Love In The Time Of Cholera – Gabriel Garcia Marquez

61 Of Mice and Men – John Steinbeck

62 Lolita – Vladimir Nabokov

63 The Secret History – Donna Tartt

64 The Lovely Bones – Alice Sebold

65 Count of Monte Cristo – Alexandre Dumas

66 On The Road – Jack Kerouac

67 Jude the Obscure – Thomas Hardy

68 Bridget Jones’s Diary – Helen Fielding

69 Midnight’s Children – Salman Rushdie

70 Moby Dick – Herman Melville

71 Oliver Twist – Charles Dickens

72 Dracula – Bram Stoker

73 The Secret Garden – Frances Hodgson Burnett

74 Notes From A Small Island – Bill Bryson

75 Ulysses – James Joyce

76 The Bell Jar – Sylvia Plath

77 Swallows and Amazons – Arthur Ransome

78 Germinal – Emile Zola

79 Vanity Fair – William Makepeace Thackeray

80 Possession – AS Byatt

81 A Christmas Carol – Charles Dickens 

82 Cloud Atlas – David Mitchell

83 The Color Purple – Alice Walker

84 The Remains of the Day – Kazuo Ishiguro

85 Madame Bovary – Gustave Flaubert

86 A Fine Balance – Rohinton Mistry

87 Charlotte’s Web – EB White

88 The Five People You Meet In Heaven – Mitch Albom

89 Adventures of Sherlock Holmes – Sir Arthur Conan Doyle

90 The Faraway Tree Collection – Enid Blyton

91 Heart of Darkness – Joseph Conrad

92 The Little Prince – Antoine De Saint-Exupery

93 The Wasp Factory – Iain Banks

94 Watership Down – Richard Adams

95 A Confederacy of Dunces – John Kennedy Toole

96 A Town Like Alice – Nevil Shute

97 The Three Musketeers – Alexandre Dumas

98 Hamlet – William Shakespeare

99 Charlie and the Chocolate Factory – Roald Dahl

100 Les Miserables – Victor Hugo

Realising ~ on the way home

Sempre gostei da língua inglesa. Há uma identificação inata, muitas vezes eu penso em inglês, leio em inglês e não sei dizer se o que acabei de ler foi em inglês ou português. Tanto que costumo utilizar o significado de algumas palavras inglesas ao meu dia a dia. Por exemplo, a palavra “realise”. Num contexto comum, ela significa “perceber, entender” numa tradução livre, mas eu gosto de falar “realizar”, aportuguesando a palavra e dando um significado mais intenso. Porque perceber algo é uma coisa, realizar esse algo é completamente diferente.

Completei quatro meses de gravidez, e realizei que eu não completei nada, mas sim o bebê completou quatro meses de vida.

Realizei isso ao perceber movimentos involuntários em minha barriga. Realizei que não estou carregando meu futuro filho na barriga, estou carregando uma pessoa. Essa pessoa já está quase que completamente formada, já tem um sexo definido, já se move por vontade própria.Realizei também que esse bebê nunca será meu. E isso me transmite muita paz. Porque eu sei que um dia nos separaremos, e enquanto eu estiver com ele perto de mim, dentro de mim, alimentando-se de mim eu vou aproveitar cada segundo, pois eles são insubstituíveis, mas eles não serão eternos.

Meu filho não é meu. Não será seu. Ele será de si mesmo, doando partes do coração dele a quem ele quiser. Afinal ele pode não saber se comunicar como nós adultos, mas ele já é alguém, e eu o amo desde antes dele ter sido concebido.

We are only what we feel
And I love you, can you feel it now*



*Trecho da música On the way home, de The Buffalo Springfield

I want to break free

Sempre é mais fácil pensar no pior.

E acho esse mecanismo de defesa humana deveras idiota. A vantagem de sempre pensar no pior é que quando o pior acontecer você poderá dizer “eu sabia”? Continuo achando idiota. Eu não quero fingir que me machuquei menos porque “eu sabia que ia dar errado”. Por mais que alguém saiba, ou ache, que vai dar tudo errado, quando algo dá errado sempre dói.

Há a vã ilusão de que antecipar a dor faz ela doer menos. Mentira. Ela dói do mesmo jeito, só que por mais tempo, pois doeu desde antes de doer de verdade. E eu não quero sentir dor. Muito menos dor por antecipação. Sou daquele tipo de pessoa que prefere poupar confrontos para poupar dores, por conseguinte, poupo pensar no pior para poupar preocupação.

Você poderia me chamar de otimista por tentar sempre pensar no melhor, por achar que tudo vai dar certo, mas eu não sou uma otimista. Otimista é quem vê o lado bom em todos os acontecimentos, e eu infelizmente não cheguei a esse ponto. Eu apenas não vejo o lado ruim onde não existe lado ruim. Portanto gosto de pensar que sou realista.

Antes de engravidar acredito que só ouvi falar sobre gravidez tubária umas duas vezes na vida. Agora que estou grávida, as pessoas sentem-se na responsabilidade de me preparar para o pior. E para isso falam de gravidez tubária, de miomas, de partos sangrentos, de cirurgias, hemorragias, eclâmpcia e et cetera.

Chegou a tal ponto que eu tenho que falar: não quero ser preparada para o pior.

Não quero achar que porque fiz uma forcinha para mover um vaso de plantas pequeno de um lugar para outro eu posso perder meu bebê, então não me conte que fulana perdeu o bebê na privada!

Não me preparem para o pior, porque para isso eu tenho a TV, a internet e os livros. Vocês fazem um grande bem ao ficarem calados.

Salvador, 8 de Novembro de 2010

Querido bebê,

Dia 4 de Novembro fiz um teste de gravidez que deu positivo. A primeira vez que te vi expressado graficamente, foi por meio de dois traços cor-de-rosa.

Comecei a fazer planos, a pensar no seu quartinho, nas suas roupinhas, nas suas fraldas, a pensar em você. Mas não quis me antecipar muito, já que tinha uma consulta médica no dia seguinte, queria ter certeza que estava te esperando antes de comemorar de verdade.

Então no dia seguinte, sem esperar, a médica me levou para a sala de ultrassom para saber se eu estava grávida mesmo. E olha só: eu estava grávida mesmo!

Eu olhei para esse pontinho minúsculo que é você (está vendo ali, onde tem dois sinais de + perto do número 1?) e sorri, porque, mesmo minúsculo, eu via um pontinho de luz piscando ritmicamente, mesmo microscópico seu coração já batia. E eu chorei.

Bebê, o mundo deposita grandes expectativas sobre você. Você nascerá numa família de classe média alta, teus pais são pessoas inteligentes e consideradas sensatas e maduras, teu pai tem duas faculdades, um ótimo emprego, tua mãe é a imagem da mulher decidida, de personalidade forte, seus avós são idosos que têm mais disposição para a vida que muito adolescente… Ou seja, as pessoas esperam que você seja muito inteligente. Esperam também que você goste de estudar, porque seus pais gostam de estudar. Esperam que você comece a trabalhar cedo, porque seus pais começaram a trabalhar, esperam que você se destaque no que fizer, ou que pelo menos ganhe bastante dinheiro, porque seus pais têm dinheiro, seus avós têm dinheiro, e você deverá manter a tradição.

Só que essa carta não é para mostrar tudo que você tem que fazer no futuro. Pelo contrário, essa carta é para mostrar tudo que você não deve fazer de seu futuro. Não viva sob as expectativas de ninguém, não caminhe sob bandeiras impostas por terceiros. Lembre-se que, por mais que as pessoas queiram te dizer que você tem obrigação para com elas, você só tem obrigações para consigo mesmo.

Pessoas te dirão que você deve me respeitar, porque sou sua mãe. Não me respeite por causa disso, me ame se você quiser. Respeite-me porque eu sou um ser humano que merece respeito como todos os outros, e me aceite, porque posso não ser perfeita, mas te aceitarei da forma que você for, meu anjinho.

As pessoas te dirão que você deverá me sustentar na velhice, que isso é sua obrigação de filho. Desde já eu te desobrigo dessa responsabilidade. Não pense em sustento (financeiro ou emocional) entre nós, pense em tudo que você quer oferecer. Porque a reciprocidade é linda quando não é imposta, e é vazia quando obrigada. Se você quiser minha companhia quando eu for velha, sentirei orgulho de mim mesma, pois saberei que consegui ser a mãe que sempre quis ser.

Vamos fazer um trato? Eu cuido de você e você se torna uma pessoa feliz. Um trato justo.

Amor eterno,

Mainha

V for Victory

Quando li V de Vingança pela primeira vez fiquei impressionada com as palavras do autor dizendo que a revista foi feita para quem assiste o noticiário, não para quem muda de canal na hora das notícias. Engraçado como somente hoje consegui entender o que ele quis dizer de verdade.

V de Vingança era para quem se importava.

Para mim V de Vingança não é sobre um revolucionário que destruiu o parlamento, muito menos sobre uma menina boba que virou uma mulher de verdade. V é sobre a união das pessoas sob um ideal, sobre a vontade de mudar o que está errado, não porque você está infeliz, mas porque é o certo a se fazer.

Hoje, 5 de Novembro, foi a data escolhida por V para simbolizar não o nascimento de uma nova era, mas o começo da mudança.

Hoje, 5 de Novembro, foi a data que descobri que vou ser mãe.

Sinto-me em parte como o V, que terei que me sacrificar para que algo importante aconteça. Claro que é um sacrifício diferente, mas o objetivo é semelhante: fazer com que uma semente cresça e se desenvolva.

Então, entendi que como o V e a Evey, eu terei minha parcela de sacrifício nessa empreitada, mas sei que o resultado vai valer muito a pena. Meu bebê é minha pequena semente da revolução, o princípio do meu futuro.

E eu me importo.

“Por baixo dessa carne existe um ideal, e as idéias nunca morrem…”